da saudade III

A saudade é um labirinto. Em seu ignorado centro, guarda-se um tesouro. Em sua única saída, um jardim prenuncia o Paraíso. Tudo ali é alusão e por toda parte recolhem-se indícios, sinais, enquanto se vaga entre lembranças e sentimentos que, se não conduzem a nenhum gesto, em úmidos sonhos e silenciosas insônias se desfazem. Repetem-se versos como sortilégios e secretas senhas dão passagem ao inacessível: a saudade é um labirinto onde as asas de Dédalo serão inúteis.