dos oceanos

Há talvez um único oceano. Chamam-no Pacífico por ironia, sim, mas também por respeitoso afeto. Ironia porque sua paz é inescrutável a todo esforço cartográfico. Afeto porque ainda que jamais venhamos a conhecer seus verdadeiros limites, intuímos que é nele que flutuam todas as terras de que somos feitos, as águas que navegamos e que nele se reflete o céu que, sem asas, almejamos. Ainda que as correntes do amor o agitem em tempestades monstruosas é nele que esperamos – como toda a nossa esperança – encontrar a paz, a verdadeira paz – “a sorte de um amor tranquilo”, como inscreveu em seu brasão um finado corsário das mágoas do Sul.