do vazio

E então, dá-se o vazio. Dele não há mapas, essa forma da esperança, pois o vazio é igual e sem contornos. Há quem o chame de calmaria; há quem creia ser essa a condição real do mundo quando toda ilusão se dissipa. De certo apenas é que dói – uma dor fria e sem cor porque não se sabe onde se está nem como ali se chegou. Nessas horas, dizem, cantam as sereias seu convite de morte. Aconselha a tradição que, amarrado ao mastro, navegador e navio tornem-se um só. E assim imóvel, ouvidos tampados, olhos fechados, se abandone ao tempo, confiante em que Deus atenderá sua prece. Nada mais é possível fazer.