do lugar onde estamos

Um célebre cartógrafo e navegador espanhol afirmou :”Eu sou eu e minha circunstância”. Segundo alguns intérpretes, ninguém terá sabido resumir com mais eficiência a dramática importância dos mapas e, ao mesmo tempo, colocá-los sob nova perspectiva. Pois, se entendemos a máxima como “Eu sou eu e o lugar onde estou” torna-se vital saber onde se está: o mapa é então o meu espelho. Mas o mapa, por outro lado, ganha um sentido novo. Ou melhor, uma nova dimensão – literalmente.

Pois, não se trata mais de um mapa plano, de um desenho, mas de uma topografia, detalhada em relevos, um quadro tridimensional que inverte a pretensão idealista de fazer do mundo uma projeção do espírito. Ao contrário, torno-me eu uma projeção do mundo, numa relação de simetria que pode variar do perfeito encaixe à total oposição.

Supondo uma plasticidade geral tanto do corpo como do mundo, trata-se de compreender o tempo em que cada uma se dá: ao corpo, o mundo parecerá quase sempre fixo, rígido em seus contornos, enquanto ele próprio se exigirá uma plasticidade às vezes dolorosa, se desejada a qualquer custo.

Na verdade, se é assim, não se trata nunca de adaptar o corpo aos contornos do mundo, mas de compreender e aceitar a distância que nos cabe de suas costas minuciosas, intrigantes e, não poucas vezes, incompreensíveis.