do desejo

A cartografia nasce do desejo. A curva do nariz ou dos seios, o volume das ancas, as linhas das mãos, as rugas do rosto, o abismo dos olhos, as súbitas dobras, não há detalhe que escape ao desejo. Desejo de conhecer, de perder-se, de aprender de novo. Navegar é imperioso e inevitável, mas o prazer dos mapas nasce do desejo capaz de descobrir o desconhecido em meio ao mar monótono. “Terra à vista!”, grita o desejo  onde não se vislumbraria senão o vazio. (E o que espera encontrar nessa terra senão o amor?)