das tatuagens

Tatuagens são talvez o único elemento fixo da geografia íntima, o mais evidente indício da presença de uma vontade sobre o corpo. Sua fixidez, portanto, é ambígua e ilusória e pode levar o navegador a persistir indefinidamente no rumo errado ou, o que é mais comum, à impressão de estar avançando quando, na verdade, permanece imóvel.

Já o eminente cartógrafo Jorge Luis Borges advertira para os riscos do abuso das tatuagens, lembrando alegoricamente o texto do hoje esquecido (como todos seremos um dia) explorador Suarez Miranda, em Viajes de Varones Prudentes.

“… En aquel imperio, el Arte de la Cartografía logró tal Perfección que el mapa de una sola Provincia ocupaba toda una Ciudad, y el mapa del Imperio, toda una Provincia. Con el tiempo, esos Mapas Desmesurados no satisficieron y los Colegios de Cartógrafos levantaron un Mapa del Imperio, que tenía el tamaño del Imperio y coincidía puntualmente con él. Menos Adictas al Estudio de la Cartografía, las Generaciones Siguientes entendieron que ese dilatado Mapa era Inútil y no sin Impiedad lo entregaron a las Inclemencias del Sol y de los Inviernos. En los desiertos del Oeste perduran despedazadas Ruinas del Mapa, habitadas por Animales y por Mendigos; en todo el País no hay otra reliquia de las Disciplinas Geográficas.”

Ao perigo do abandono e da ruína, outro célebre cartógrafo, Ray Bradbury, acrescentou a sedução da loucura: como sereias mitológicas, as tatuagens podem estabelecer conosco um infindável diálogo em que cada uma se oferece como o abismo que esconde a chave de nosso verdadeiro corpo. Vorazes e sem fundo, as tatuagens são espelhos da escuridão que cada um guarda dentro si.