das razões da cartografia

A semovente natureza de nossa geografia íntima nos obriga ao perdão e ao esquecimento. Navegar é preciso. E navegar é viver. Navegamos (por paradoxal que pareça) porque não podemos nos agarrar a nossos mapas. E por que os criamos então?, se argüi a cada tempestade o cartógrafo de si. Pelo prazer estético da observação e do desenho; pela desesperada – porque inútil – ânsia de reter, de fixar para sempre o que  de fato é inapreensível; pelo singelo desejo de nos momentos trevosos – e na hora derradeira – ter à mão o consolo de algumas lembranças felizes; para não perder de vista a eternidade, quer ela exista ou nos venha a ser acessível; por vaidade; por compaixão (e por tantas outras razões ainda não cartografadas).