das manchas

“… as manchas da pele são um mapa das incorruptíveis constelações”.

 Jorge Luis Borges

(A crer na afirmação do ilustre navegador argentino não terão sido inúteis as horas incontáveis em que vaguei por teu corpo em busca de um sentido que explicasse o destino que nos coubera, a controversa união que parecia não se desdobrar no tempo, mas se erguer ou afundar para dentro de um único e infindável instante. Esperava encontrar, na conjunção de nossos corpos, a sinastria que iluminasse esse destino, sempre tão precário e noturno – nem tanto na expectativa de um final feliz, senão pelo alívio que a fatalidade outorga. Não terá sido em vão, se enriqueceu-nos a busca e, em nosso esforço, alimentamos as estrelas que pensávamos interrogar)