das linhas das mãos

Um destino que antecede a existência teria traçado na palma das mãos o mapa desta vida. Eis, em resumo, a crença que orienta a Quiromancia, talvez o ramo mais popular da Geografia Íntima. A aparente simplicidade dessa carta de acesso imediato ao futuro e aos secretos significados do presente se desfaz logo ao primeiro olhar. O minucioso e delicado entalhe das linhas combina sulcos profundos e traços quase invisíveis em desenhos de suposta precisão tamanha que, somos levados a concluir, qualquer erro de leitura conduzirá a resultados diversos e inevitavelmente desastrosos. A situação é trágica: temos o mapa, mas falta-nos a chave. “Assim na terra, como no céu”, nossas mãos nos propõem o mesmo enigma que, à noite, as estrelas nos cintilam. Discreto, mas incessante desafio, as mãos seriam um “livro aberto” escrito em uma língua morta. Somos, enfim, como cegos diante de um espelho. Essa metáfora certamente nos será mais útil do que a sempre duvidosa leitura das linhas que alguns navegadores dizem ser capazes de produzir.