das fronteiras

Fragmentos de um portulano encontrado nas ruínas de um navio encalhado no Atol das Dores:

“Eu dormi com a cabeça sobre o teu ventre. Eu era um bebê e flutuava: minha cabeça sobre o teu ventre. Dormi – sem sonhos, relaxado, mas desperto. Éramos um. As fronteiras dos mapas não estão escritas no chão e eu, sendo eu, era todo você: únicos, os dois.

Rimáramos, versos um do outro. E agora dormíamos. Você estendida sobre a cama e eu, entre suas pernas, curvado, a cabeça sobre seu ventre. Eu era bebê e flutuava. E, como homem, te digo: como é bom reencontrar a mãe, essa com quem fui um, em outro corpo. E te digo: isso é o amor. E repito, sussurrando (mas escrevo também para que todos aprendam): isso é o amor.

* * *

(E aquele surpreendente aguaceiro era gozo. Sempre me espanta como somos inocentes…)