da solidão

Como tudo mais na geografia íntima, a solidão é vista como um lugar. Eldorado ou temido Inferno, continente ou arquipélago, mar ou deserto: tantas são as figurações da solidão que não é possível haver uma única. Há margem, portanto, para que cada um infira, busque ou evite esse encontro, esse lugar sem contornos definidos. A mim, modesto autor desta compilação, a solidão é o espelho presumido no quarto escuro. Sei que está lá, sei o que pode me devolver sua superficialidade silenciosa e fria, mas não sei se desejo que a luz se faça – e por isso temo pensar nisso.