da natureza da felicidade

Não há consenso sobre a natureza da felicidade.

Muitos navegadores insistem que se trata da parte menos navegável e insípida do Pacífico e alguns chegam mesmo a afirmar que se trata de outro oceano, sujeito a longas calmarias – e nada mais. Inversamente, não poucos afirmam que a felicidade é um continente vasto e inexplorável, por conta dos perigos que aguardam quem se arrisca a nele penetrar.

Supondo que onde há controvérsia não pode haver verdade, a cartografia clássica acredita que a felicidade é um arquipélago formado por um número incontável de ilhas unidas por um mar propício apenas àqueles que as querem alcançar de coração aberto e desinteressado. Isso explica porque muitos, os cobiçosos, vagam pelo oceano sem jamais encontrá-las.

Por outro lado, os que insistem que a felicidade é um continente são aqueles que, tendo encontrado uma dessas ilhas, se negam a avançar terra adentro por medo de, ao chegar à outra margem, ter de novamente encarar o mar incerto.Só os que a tanto se atreveram conheceram a natureza exata da felicidade, afirmam os cartógrafos da escola clássica.