da melancolia

A melancolia é uma região do peito ainda não suficientemente mapeada. Entende-se: em melancolia é noite sempre e seu chão, coberto de um musgo muito azul, confunde-se com seu céu de veludo. Tudo em melancolia convida ao sono, ao devaneio e ao cansaço. Nem sequer é possível saber se sonhamos, porque nenhuma ideia, nenhuma sensação, dura o suficiente para se fixar e se desenvolver como história. Os poucos exploradores da melancolia são unânimes em afirmar que lá se está sempre sozinho: não há relatos de que alguém tenha encontrado outro além de si mesmo em melancolia. O peculiar é que esse si mesmo não coincide com aquele que somos ou pensamos ser, o que torna a sensação de estar em melancolia profundamente inquietante. Por isso, tenham sido poucos, muitos ou todos os que por lá andaram, quase nada se sabe ou se disse sobre seu pesaroso silêncio. “A melancolia é azul”, resumiu um navegador russo com poética precisão. Um azul que prenuncia as trevas – sem alarde e com perversa languidez.